Através da combinação entre saber acadêmico e espírito empreendedor, jovens estudantes da Geração Y conseguem experiência diferenciada.
Os jovens da Geração Y são conhecidos por serem bastante independentes e ambiciosos. Não há lugar melhor para aproveitar essas características que o ambiente de trabalho. As empresas juniores são o exemplo perfeito de como os estudantes da nova geração estão se articulando desde cedo para conseguir as melhores vagas no futuro. A fórmula é trazer a realidade do mercado de trabalho ao ambiente da universidade, onde os erros são permitidos e a autonomia é maior.
Empresas juniores são organizações compostas e gerenciadas por alunos de cursos de graduação ou nível técnico que funcionam nas próprias instituições de ensino superior. Essas organizações são uma forma diferenciada dos jovens terem um primeiro contato com o mercado trabalho, já que não precisam necessariamente sair da universidade.
“A primeira grande diferença entre uma empresa júnior e uma empresa tradicional é que nós não recebemos nada além de conhecimento de mercado e experiência”, destaca Pedro Xavier, aluno do sexto período do curso de Design da UFPE e diretor da Baobá Design, empresa júnior do Centro de Artes e Comunicação (CAC). O estudante comenta como outra diferença a assessoria profissional de professores, que avaliam o trabalho desenvolvido pelos alunos, mas também lembra que os jovens empresários são independentes diante das decisões a serem tomadas. “Se nós não acharmos interessante o que os professores disserem sobre o trabalho, não acatamos”, pontua o independente jovem Y.
A Baobá Design foi criada há menos de cinco anos, mas o Movimento Empresa Junior (MEJ) começou bem antes disso, em 1967, na França. As primeiras atividades realizadas eram apenas estudos de mercado com base em enquetes comerciais nas empresas, mas a ideia se tornou tão popular no meio acadêmico francês que dois anos mais tarde foi criada a Confederação Nacional das Empresas Juniores. Já na década de 1980, o movimento passou a ganhar repercussão internacional e se expandiu para outros países da Europa, como Suíça, Bélgica e Espanha, até chegar aos Estados Unidos.
Em 1988, foi a vez de o Brasil receber essa iniciativa através da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Brasileira, que trouxe os conceitos fundamentais do MEJ. Como resultado, surgiram as primeiras empresas júnior brasileiras em três universidades: a Universidade de São Paulo (USP), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Em 1993 foi fundada a primeira empresa júnior da UFPE, a A.C.E Consultoria, que reúne alunos dos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Economia, Secretariado e Serviço Social. Diferente da Baobá Design, A A.C.E. é uma organização interdepartamental, assim como o Centro Integrado de Tecnologia e Informação (Citi), do Centro de Informática (Cin), também da UFPE. Esse caráter multidisciplinar da empresa é responsável pelas diversas áreas em que atua: comércio exterior, econômico-financeira, logística, marketing, gestão estratégica, qualidade e recursos humanos.
Como é comum nas empresas juniores, a estrutura administrativa, a execução de projetos, o processo seletivo para novos membros, entre outras funções, são de inteira responsabilidade dos próprios estudantes. Ambiente mais que propício para atuação dos jovens um tanto informais da nova geração, que tratam superiores como meros colegas - nesse tipo de empresa, de fato, os funcionários podem até ser colegas de aulas. Maria Regina Morais, como gerente de projetos da A.C.E, comenta o funcionamento da empresa. “Na A.C.E temos um Conselho, que é um órgão consultivo ao qual a Diretoria recorre para retirar dúvidas e apresentar os resultados que estão sendo alcançados. Enquanto isso, cabe a Diretoria Executiva o acompanhamento dos demais membros no que diz respeito ao alinhamento estratégico, bem como a tomada de decisão decisões estratégicas e os demais membros são responsáveis diretos pela execução de suas atividades.”, detalha. A estrutura da A.C.E Consultoria pode ser observada no infográfico abaixo:

Maria Regina também fala da importância do processo seletivo nas empresas juniores. “Todos os membros da gestão administrativa da A.C.E passam por uma seleção específica.”, aponta. Na empresa da qual ela faz parte, os candidatos passam por uma seleção composta de cinco etapas: provas, dinâmicas, entrevistas, treinamento e projeto de integração. Caso o candidato passe por todas essas etapas, que normalmente duram meses, ele participará do Open House da A.C.E, evento que tem o intuito de mostrar aos pais o desenvolvimento do filho nesse período e como ele pode crescer ainda mais dentro da A.C.E. Consultoria e do Movimento Empresa Júnior.
Para Pedro Xavier, da Baobá Design, é justamente essa participação mais completa dentro da organização o diferencial entre adquirir experiência em uma empresa júnior e participar de um programa de estágio tradicional. “Você lida com todos os processos de uma empresa trabalhando desde os impostos que a empresa precisa pagar, até mesmo a área de Recursos Humanos e a própria direção do projeto. Muitas vezes em estágios tradicionais os alunos apenas executam ordens”, compara. Maria Regina concorda que o vínculo estabelecido faz a diferença: “Empresários Juniores são pessoas que desenvolvem habilidade de negociação, capacidade de liderança, visão empreendedora e vontade de crescer, pois trabalham duro e com paixão para garantir o sucesso do seu próprio negócio”, opina.